Enola Holmes | Crítica (2020)

Enola Holmes é um filme que trata bem as principais características de um detetive como seu irmão mais velho, Sherlock. Mas quando o quesito é fazer sair da mesmice o roteiro entrega um pouco menos do que podemos esperar.

A adaptação do romance, Os Mistérios de Enola Holmes, foca em duas horas de filme no desenvolvimento da personagem de Millie Bobby Brown como uma adolescente que era dependente de sua mãe Eudora (Helena Bonham Carter) até o abandono da mesma logo no início do filme.

O enredo do filme é bem interessante ao mostrar temas bem atuais em uma Inglaterra no século XIX. Porém a incansável tentativa do diretor Harry Bradberr em deixar o filme interativo evidencia problemas que claramente poderiam ter sido evitados. A quebra da quarta parede tenta em muitos momentos esconder momentos previsíveis do roteiro e quando não, ela toma o lugar de diálogos importantes para trama.

Claro que apesar dessas pequenas falhas, Enola Holmes tem inúmeras qualidades. O figuro e a paleta de cores do longa casa muito bem com a identidade de todos os personagens, até mesmo com a necessidade de mudança que eles apresentam em determinados momentos.

Embora o sobrenome Holmes seja inteiramente ligado ao irmão de Enola, Sherlock (Henry Cavill), ela mostra a todo momento que pode ser uma detetive melhor do que ele. A luta dela para impor o que ela quer viver e não o que a sociedade, ali exposta pelo seu irmão mais velho Mycroft (Sam Claflin), quer coloca importantes testes de sobrevivência em Enola.

E por falar em desenvolvimento de personagem, Sherlock também teve seu amadurecimento pessoal nesse longa. Embora o protagonismo não seja dele, a inspiração de um bom detetive para sua irmã faz diferença nas escolhas e caminhos que os irmãos decidem seguir.

Os flashbacks por sua vez são partes primordiais para conhecermos e sermos colocados no contexto em que Enola Holmes foi criada e como ela adquiriu tamanhas habilidades. Além disso esses momentos de lembranças também servem para conhecermos mais a mãe.

A atuação de Helena Bonham Carter como Eudora é muito boa mesmo com poucos momentos de personagem. Eudora tem um papel importante no filme e um peso mais importante ainda para o que a trama passa. Uma ativista, lutadora que faz seus sacrifícios pessoais em prol de um bem maior, talvez não exista nada tão Holmes do que isso.

Apesar disso o destaque fica para os dois vilões do longa, Frances de la Tour (The Dowger) e Sam Claflin (Mycroft Holmes). Eles claramente foram desenhados com a ideologia manter os “bons costumes” da época e essa é a grande questão tratada.

Mas a pergunta que fica é se esses “bons costumes” ficaram só naquela época? Bom, quanto a isso Enola e Sherlock deixam bem claro que mudanças são necessárias para um bem maior. E o filme apesar de tudo se mantem firme com bom humor e ótimos momentos de entretenimento.


Nota do Crítico: 3,5 = bom.

O critério de notas é estabelecido da seguinte forma: 

0,0 = péssimo

1,0 = ruim

2,0 = regular 

3,0 = bom

4,0 = ótimo

5,0 = excelente

Apesar da vida ser um grande episódio de Black Mirror ela as vezes tem seus momentos de Sta Wars e fica tudo lindo!
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