The Handmaid’s Tale 3º Temporada | Crítica (2019)

The Handmaid’s Tale segue na jornada de June (Elizabeth Moss) contra Gilead, mas agora muito mais focada em destruir o sistema.

Até agora June estava focada em fugir junto de sua filha, mas o arco da terceira temporada é justamente a personagem percebendo que o melhor a se fazer é acabar com Gilead. Nessa narrativa, a personagem se torna até suicida em diversas ações suas. A mensagem que passa é que June já não liga se viverá para ver Gilead destruída, quase sem esperanças de viver para ser livre. A fotografia muitas vezes insiste em mostrar os olhos de June, talvez para reforçar o que se passa dentro da personagem, mas na primeira temporada funcionou, agora na terceira temporada e usado com tanta frequência, se tornou esperado e chato.

Em alguns momentos June parece andar em círculos em sua trajetória, a narrativa fica tediosa e arrastada em diversos episódios, mesmo com alguns pontos interessantes. Em outros momentos, June com certeza já não é a mesma da primeira temporada e com certeza Gilead a mudou. E em paralelo temos Emily (Alexis Bledel), que conseguiu chegar até o Canadá, e em sua consulta médica percebe que seu corpo não mostra sinais de nada do que passou, e ela certamente esperava ter algo físico para tratar, não somente seu psicológico e costumes sociais.

A fotografia, bem como a arte e o som, continuam lindas de assistir (e ouvir). Os frames que encaixam June em um ponto específico da tela, como a cena em que a personagem fica com asas atrás, ou os enquadramentos de June conversando escondido com outras aias no mercado são aspectos da produção que dá gosto de observar. Além disso, a série continua a ousar com a trilha sonora entrando em momentos inesperados, e encaixando muito bem com o momento.

O simbolismo sempre foi importante para The Handmaid’s Tale, desde pequenos objetos até ações. A história segue mostrando como as liberdades vão sendo retiradas aos poucos, se antes perderam liberdade até se tornar Gilead, as mulheres, ainda mais as aias, vão perdendo cada vez mais o que chamam de liberdade. Em Washington D.C algumas aias tiveram suas bocas costuradas, tampada pelo novo modelo de uniforme, e se não bastasse tamanho choque, o famoso obelisco da cidade foi transformado em uma cruz.

Choque também é algo que vale a pena mencionar. Nas outras temporadas, especialmente na segunda, uma boa parte do público reclamou de cenas de violência que seriam desnecessárias para a narrativa. Os roteiristas e produtores ouviram e a série ganhou um toque a mais, apenas sugerindo a violência, o que talvez seja até mais perturbador do que realmente mostrar.

Serena (Yvonne Strahovski) segue na história da Nichole, mas em uma luta para resgatar a bebê, que ela mesma ajudou a tirar de Gilead. Sua obsessão em ser mãe, o que contribuiu para a criação de Gilead, fala mais alto do que a razão, e embora tenha sido o motivo dela e Fred não viverem mais na mesma casa, também é o que os reaproxima. Yvonne Strahovski consegue nos fazer odiar e ao mesmo tempo, adorar Serena com sua atuação que deixa dicas no ar de quem está tramando algo, com singelas expressões, ou mesmo nos fazer sentir afeição quando fala da falta que Nichole faz.

The Handmaids Tale sempre foi uma série sobre machismo, mas cada vez mais a sororidade também se torna um ponto central. Vítimas desse e de outro sistema, a fotografia opta por mostrar momentos de empatia e apoio entre mulheres, como June tocando a mão de Rita no mercado, ou Eleanor e June conversando sobre a vida antes de Gilead. Todas são vítimas de Gilead, em maior ou menor grau, conscientes ou não.

A terceira temporada de The Handmaid’s Tale é sobre June percebendo que mesmo com ela e suas filhas livres de Gilead, outras continuariam sofrendo, e não há melhor maneira de libertar todas e expor ao mundo como Gilead realmente é do que quebrar o sistema por dentro, porque a ajuda não virá do Canadá ou da Resistência.

Apesar de continuar com a qualidade das outras temporadas, a série parece entender que não dá para continuar eternamente, e caminha para o final. Embora as vezes entediante, o roteiro prepara June para destruir Gilead, não somente ficar livre.

Nota do Crítico: 4,0 = ótimo

O critério de notas é estabelecido da seguinte forma: 

0,0 = péssimo

1,0 = ruim

2,0 = regular 

3,0 = bom

4,0 = ótimo

5,0 = excelente

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