Desalma 1ª Temporada | Crítica

Desalma, produzida pela Globo, é ousada em diversos aspectos, mas ainda segue padrões. Contando a história de uma pequena cidade de imigrantes ucranianos, a série se divide em dois momentos da cidade que se complementam. A história flui com facilidade entre passado e presente, sem parecer desnecessário ou forçado.

Os elementos visuais da série são um show a parte. Diferente de qualquer produção brasileira, a série aposta em criar na cidade uma mistura de aspectos brasileiros e estrangeiros. Se por um lado o clima e as roupas são frios, elementos típicos de cidades pequenas brasileiras, como o encontro para bordar, são frequentes.

A arte e a fotografia conseguiram criar, e manter verossímil, um mundo alheio ao resto do país. A série é repleta de planos bem feitos e enquadramentos diferentes e interessantes, talvez por conta da experiência prévia dos diretores em curtas-metragens. É interessante ver que aquelas pessoas vivem como se estivessem na Ucrânia, até mesmo falando a língua, mantendo diversas tradições, e fotografia e arte se unem para acrescentar à esse ambiente.

O som já é algo que não parece estar na mesma sintonia. Em algumas conversas o som incomoda, sendo que as vezes parece que os personagens ora sussurram, ora conversam normalmente. Exceto as canções ucranianas, a trilha sonora também não parece combinar com o resto da atmosfera.

Outro ponto baixo da série é que conta uma história que já foi contada diversas vezes. Adivinhar o que acontecerá não é difícil, o que a torna tediosa em alguns momentos. Ao mesmo tempo, a ousadia da série em contar com elementos do folclore ucraniano mantém o espectador curioso e atento. Infelizmente, o terror ficou em falta. Medo e susto não é algo que a série se esforça para passar. Curiosidade e suspense, sim.

Os diálogos são outro incômodo. Forçados e robóticos, destoa da tela e tira o espectador da narrativa, de tão formais que são. Entender que os diálogos podem, e devem, passar os trejeitos dos personagens, gírias e costumes da língua é essencial para qualquer narrativa, e aqui isso fica claro.

Logo, os atores não conseguem agir com naturalidade, o que afeta o desempenho principalmente do elenco jovem. Cláudia Kis (Haia Lachovicz), Cláudia Abreu (Ignes Skavronski) e Maria Ribeiro (Giovana Skavronski), talvez por terem mais experiência de atuação, ainda conseguem convencer o espectador e brilham em tela. Fica a dúvida se o diálogo passou por revisão mesmo ou se faltou atenção à direção de atores, até por conta das ações em cena dos personagens.

A série por muitas vezes é didática demais, em outras faltam explicação. Elementos que fazem parte da mitologia da série nem sempre ficam claros. Essa confusão afeta o entendimento completo da história, e o roteiro poderia ter economizado a didática em certos momentos para colocar aqui.

Ao final, a série conclui a história que se propõe a contar. Apesar de um pouco confusa e com algumas pontas soltas e ganchos duvidosos, a série se sai bem.

É uma história interessante, que se sobressai pela sua ousadia. Contar história de terror com elementos alheios ao espectador, em um país que está acostumado a consumir apenas terrores hollywoodianos, e em produção grande não é para qualquer um.


Nota do Crítico: 3,0 = bom.

O critério de notas é estabelecido da seguinte forma: 

0,0 = péssimo

1,0 = ruim

2,0 = regular 

3,0 = bom

4,0 = ótimo

5,0 = excelente

3 comentários em “Desalma 1ª Temporada | Crítica

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