O Gambito da Rainha | Crítica

Dirigida por Scott Frank, ‘O Gambito da Rainha’, nova série da Netflix conta a história de Elizabeth Harmon, prodígio no xadrez. Harmon, interpretada por Anya Taylor-Joy, poderia não ter a simpatia do público, mas Anya e o roteiro bem construído a tornam agradável e compreensível.

A narrativa ganha mais interesse justamente por ser ficção, dando liberdade para a equipe questionar e pontuar valores importantes na época e nos Estados Unidos.

Ao contar a história de Harmon rumo a campeã mundial de xadrez, a série também trata de questões atuais que estavam presentes na década de 60. Em um diálogo com sua mãe adotiva, Harmon questiona a razão ser mais importante o fato dela ser uma menina, do que o talento que tem. Em outro momento, repórteres comentam o fato dela ser muito ‘arrumada’ e se importar com moda mesmo jogando xadrez. Até hoje mulheres são ofuscadas em suas profissões e não são bem vistas como profissionais se são vistas se divertindo.

Outra questão que a série aborda é a diferença entre os EUA e a Rússia. Ambientada durante a Guerra Fria, a série utiliza da diferença do tratamento que cada país dá ao xadrez, em especial no último episódio, para marcar a animosidade entre eles. Em diversos momentos a série coloca o dedo na ferida dos EUA, questionando os valores da sociedade estadunidense.

A série segue a estrutura clássica de três atos, com a evolução da personagem conforme o decorrer da história. Tanto Harmon, quanto sua mãe adotiva são personagens bem desenvolvidas. Sem ser didático, o roteiro passa as informações necessárias para a compreensão das personagens. Até mesmo as memórias de Harmon com sua mãe biológica depressiva encaixam perfeitamente na história do episódio, e também na personalidade da própria Harmon.

Toda a estrutura de um roteiro clássico está presente em ‘O Gambito da Rainha’, e é realizada perfeitamente. Já se foi o tempo em que séries de televisão não tinham a mesma qualidade de filmes de cinema. O último episódio é um ótimo exemplo de catarse cinematográfica.

Contudo, um ponto que a série poderia ter se saído melhor é na passagem do tempo para Harmon. A arte se empenhou em realiza-la pelo figurino e maquiagem, já o roteiro pela personalidade da personagem e ficou confuso, devido os anos que a série retrata. Um exemplo é que Harmon não convence seus 13 anos ao iniciar nos campeonatos. A confusão piora por conta do resto do elenco não envelhecer quando a personagem chega aos 20 e tantos.

O último episódio tem dois pontos que fazem a série brilhar. O primeiro é a maneira que Harmon lida com seu vício em sedativos, tornando a virada final somente dela. E o segundo é a cena final, com a personagem finalmente jogando apenas por prazer.

‘O Gambito da Rainha’ tem diversos pontos que valem a pena a discussão, e a série os aborda sem perder o foco no tema principal, que é o xadrez. O investimento que a Netflix fez na série valeu a pena.


Nota do Crítico: 4,0 = ótimo

O critério de notas é estabelecido da seguinte forma: 

0,0 = péssimo

1,0 = ruim

2,0 = regular 

3,0 = bom

4,0 = ótimo

5,0 = excelente

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