Os Antagonistas

Ser vilão e roubar o filme só pra si são coisas que só Loki pode fazer. (Reprodução)

Sempre que um roteiro é elaborado, escrito e definido por completo, nos deparamos com a lista dos personagens que existem na história que será narrada, seja nas novelas, filmes e séries. Sabemos que toda trama tem seu protagonista, o par romântico, o alívio cômico e, por último, o vilão. Sim, o antagonista que em muita das vezes rouba a cena do filme, inclusive este sendo o papel de maior destaque. Costumo dizer que o que faz o filme andar é o vilão, já que ele é como a colher que mistura o açúcar no café. Nós nos prendemos ao conceito maniqueísta de que o vilão é mau por ele ser mau e ponto final, quando esquecemos das motivações que levam o personagem a se tornar o antagonista.

Podemos pegar um exemplo claro, que já citei em um post do Dia das Bruxas. Para quem assistiu O Mágico de Oz, sabe que a Bruxa Má do Oeste é a vilã da trama. Mas e se a sua maldade tivesse um motivo bem claro? Ademais, Elphaba teve seus motivos para ser má. Isso é retratado no musical Wicked, um dos musicais favorito deste que escreve, onde mostra a razão pela qual a bruxa abandona tudo e vai contra o que consideram normal. Mais uma vez, evitarei os spoilers, já que vale a pena assistir para entender o motivo desse antagonismo imposto.

A vaidade da Ordem Jedi abençoou o nascimento de Darth Vader. (Reprodução)

Indo pro óbvio, temos Darth Vader. Eu venho aqui rasgar o véu da vergonha e dizer que o problema da Galáxia são os Jedi e seu código de conduta. Eu sei que todos amam os Jedi, também gosto deles, mas vamos admitir que eles simplesmente criaram dogmas e preceitos que simplesmente eram falhos. Adicionalmente, pontuo a regra de que um membro da Ordem não podia se relacionar, seja amorosamente ou de maneira familiar. Um Jedi deveria cumprir seu papel como cavaleiro e assim deveria se manter. Por conta disso, além da crescente raiva que sentia por ser incompreendido, ignorado, de ver as injustiças ocorrerem sem poder fazer nada, que Anakin Skywalker cedeu ao lado sombrio. Ainda me permito dizer que a vaidade dos Jedi fez com que o Primeiro Império Galáctico surgisse sob a cegueira vaidosa da Ordem Jedi.

Você não vai acreditar, agora eu sou o vilão!

Nós crescemos sob a ótica de que os vilões são maus e volto-me a esse ponto que disse lá no começo para que possamos deixar de lado nossos preconceitos. Julgar que Scar era mau e agiu errado em destruir o Serengueti inteiro é fácil, mas entender que crescer à sombra de um irmão mais velho que tinha tudo e se tornou rei, ser rejeitado e tratado como escória, acaba sendo difícil. Isso não é culpa do roteiro, até pela razão de que nem tudo precisa estar explícito. O melhor roteiro, na minha humilde opinião, é aquele que você capta as mensagens implícitas, o que faz um espectador mais atento e nutrido do que o filme ou série quer mostrar.

A risada, os trejeitos, o Coringa. O melhor vilão para amarmos. (Reprodução)

O que faz a gente gostar dos vilões é simplesmente o fato deles fugirem do ethos social a qual vivemos. É perfeitamente aceitável que o Coringa exploda algo, que as irmãs Sanderson atraiam crianças para pegar a juventude delas com bruxaria, que Thanos obtenha as Joias do Infinito e elimine metade do universo. Isso é explicado pela psicologia, não se sinta mal por torcer pro malfeitor. O antagonismo nos faz sair da ordem social, a mesma que mantém tudo andando e girando, mas ainda assim, mostra que temos uma visão simples do que é normal. A normalidade tende a ser injusta, isso é mostrado em Pantera Negra, quando Killmonger diz que em Wakanda há muito, enquanto irmãos e irmãs negros estão morrendo pelo mundo. Crescer à sombra de ter tudo faz até mesmo Loki ser mais popular que o próprio Thor.

Está enraizado em nossas mentes que vilões podem ser legais, e claro, os grandes estúdios entenderam isso e cada vez mais criam filmes sobre os antagonistas que tanto amamos. E é fundamental, concluo, que essas histórias sejam narradas. Crescemos vendo eles de um jeito, hoje vemos o motivo por serem quem são. Lógico, nada justifica seus atos maléficos, genocidas até, mas eles são os vilões. Deixem que deem suas risadas, que destruam prédios e roubem a mocinha indefesa. Faz parte do jogo, toda luz precisa da sua sombra. E toda sombra precisa se destacar.

Uma mistura de Capitão América com Doutor Estranho, das casas Stark e Targaryen, aliado dos anões da Terra Média, treino pokémons insetos e nas horas vagas um lolzeiro noob.
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