Fate: The Winx Saga 1ª Temporada | Crítica

Recém lançado pela Netflix, o anúncio do live action do desenho ”Clube das Winx” deixou muitos fãs da animação com a pulga atrás da orelha. Entretanto, a produção acertou no tom da história, deixando o espectador ávido pela segunda temporada.

A trama segue a mesma premissa do desenho: acompanha a história de Bloom, fada do fogo, descobrindo seus poderes. O roteiro acerta em repetir detalhes de o ”Clubes das Winx”: apesar de conhecer a história, a maioria dos espectadores não se recorda mais de todos os pormenores. Revisitar Alfea, ver as novas versões dos personagens e até relembrar o início da trama coloca aquele sorriso no público que conhece o desenho de sua infância.

O tom de ‘Fate: The Winx Saga’ lembra o mesmo da primeira temporada de ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’. Torna a trama mais sombria e dúbia para os espectadores que já conhecem a história, enquanto mantém aspectos de série teen para atrair também o público mais novo. O resultado funciona. Quase todos os personagens tem algum desenvolvimento próprio, o que mantém a história interessante mesmo para o espectador mais velho. Resta torcer para que não tome o mesmo rumo que Sabrina.

Logo nos primeiros minutos, a série acaba com qualquer expectativa de transformação, asas e muito brilho: a diretora de Alfea, Farah Downling, explica à Bloom que são poderes antigos há muito perdidos. Assim o roteiro estabelece um tom claro e mitiga comentários como ‘no desenho era mais mágico’. Públicos diferentes precisam de adaptações na histórias. Apesar disto, o espírito da animação está bem presente.

A série peca em alguns aspectos de sua produção. Flora não faz parte da trama, sendo apenas mencionada por sua substituta, Terra. A substituição poderia nem ser um ponto negativo, mas não há motivo para substituir, por isso a produção da série está sendo acusada nas redes por whitewashing. Terra possui os mesmos poderes de Flora e personalidade parecidas. A inserção da personagem na trama serve apenas para ter uma fada gorda no meio de magras. O que nem serve para uma boa representatividade, já que Terra segue presa no núcleo que sempre é destinado à personagens gordas: o papel da gordinha simpática que é tagarela e gosta de agradar a todos, enquanto tenta estabelecer um romance mas o possível parceiro acaba se mostrando gordofóbico. Se a produção achou interessante a inserção de uma fada gorda, que mantivesse a Flora, com sua representatividade latinoamericana, e melhorasse o núcleo sobre gordofobia.

Somando a isso, a série optou por contratar uma atriz branca para Musa, personagem de descendência asiática nos desenhos. A história pregressa e até os poderes da personagem mudaram, mas poderia se tratar de uma nova fada, não antiga. Já no roteiro, não na pré-produção da série, a única fada negra, a fada de água Aisha, praticamente não ganha um núcleo próprio. O espectador apenas sabe que gosta de nadar e é estudiosa, e suas ações e emoções giram exclusivamente em torno de Bloom. Há uma tentativa de apronfuda-la, mas é deixada de lado em menos de um episódio.

As mudanças feitas na personagem de Stella podem ser incômodas no início, mas a fada ganha um bom aprofundamento e não deixa de ser uma boa mudança para a série. Tecna não existe na história por enquanto, o que foi bom para o pouco tempo que a série possui. A junção das fadas Trix em Beatrix funciona muito bem, e a atriz Sodie Soverall, juntamente com o figurino, não deixam o que reclamar.

Por fim, ‘Fate: The Winx Saga’ cumpre muito bem o papel de suprir os assinantes da Netflix com uma série teen mágica após o fim de Sabrina. A história promete muito mais temporadas, e em questão de estrutura de roteiro e desenvolvimento, não há o que reclamar. Tanto os fãs do desenho que não sabiam muito bem o que esperar, quanto os que colocaram muitas expectativas, irão adorar a série.


Nota do crítico: 4,0 = ótimo

O critério de notas é estabelecido da seguinte forma: 

0,0 = péssimo

1,0 = ruim

2,0 = regular 

3,0 = bom

4,0 = ótimo

5,0 = excelente

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