The Handmaid’s Tale 4ª Temporada | Crítica

A quarta temporada de The Handmaid’s Tale veio para questionar mais do que nunca na série o que é ético e moral e o que é justiça.

Seguindo exatamente de onde parou o último episódio da terceira temporada, a série faz o que sabe melhor: nos deixar sem ar a cada episódio. Acompanhamos June em Gilead, mas dessa vez como fugitiva, procurada e até mesmo de certa maneira, cabeça da Resistência. O espectador só ficaria mais feliz com o final, mas sem spoilers.

A fotografia, direção de arte e som continuam um espetáculo a parte. Todos os que dirigiram os episódios demonstram maestria e profundo conhecimento da estrutura da série e de todos os artifícios que a produção utiliza. Em especial, Elizabeth Moss como diretora de alguns episódios deu um toque a mais à narrativa, colocando tudo o que a June sente na direção. Que Moss encabece mais episódios na próxima temporada.

Já anunciada a 5ª temporada, ao assistir a atual o espectador não espera mais uma revolução, e sim um grande desenvolvimento da moralidade da história, em especial após a primeira metade da temporada.

A série coloca em pauta até onde vai a ética e moral. Se por um lado temos Fred e Serena Waterford podendo ser possíveis pessoas chaves nas informações de Gilead, o que isso custaria em troca? É possível balancear o peso dos dois lados da balança, levando em conta tudo o que fizeram? Como? Para o espectador e libertos de Gilead, obviamente não tem, mas a série coloca a possibilidade de diplomacia e eles compensarem o peso da balança.

Além disso, outro ponto que a série toca e debate muito bem é sobre o que sentem os libertos de Gilead em relação à nação opressora. Utilizando o núcleo de Moira e Emily para isso, a série expõe diversos tipos de sentimentos em relação aos opressores. Enquanto umas preferem perdoar ou esquecer, ou tratar na terapia (que todas deveriam obrigatoriamente fazer), outras preferem que eles tenham o que mereçam. Mas aí que está, o que seria possível fazer com que a balança da justiça seja equilibrada? E se tal ato de equilíbrio envolver violência, as pessoas que a cometerem serão culpadas no mesmo nível que os opressores são? Ou estarão apenas fazendo justiça? Fazer justiça com as próprias mãos pode ser errado, mas o que fazer então se as leis e diplomacia não permitem justiça adequada?

É com todos esses debates que a série lida conforme a quarta temporada avança, e ouso dizer que ela está no auge de sua qualidade, utilizando de toda a reflexão e construção narrativa que fez ao longo dos anos e tirando os melhores resultados. Não há motivo para o espectador desconfiar da qualidade da próxima temporada, mas resta o pensamento que séries que continuam se alongando perdem a qualidade conforme o tempo passa e a narrativa se esgota. The Handmaid’s não está neste ponto, porém que se não se alongue por mais três temporadas.


Nota do crítico: 5,0 = excelente 

0,0 = péssimo
1,0 = ruim
2,0 = regular 
3,0 = bom
4,0 = ótimo
5,0 = excelente

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